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Caminhos da mobilidade urbana: os 10 anos do Bike Itaú

Presente hoje em cidades de quatro países, iniciativa pioneira estimulou um bem-vindo interesse de empresas como Netflix, Magalu e iFood pelo tema da mobilidade urbana.


Por: Leila Mello

Bike elétrica da Tembici: parceria Itaú e iFood

Reproduzimos a seguir artigo, assinado pela integrante do Comitê Executivo do Itaú Unibanco Leila Melo, sobre os bem-sucedidos 10 anos do sistema de bicicletas compartilhadas da Tembici, hoje operante em onze cidades de quatro países: Brasil, Chile, Argentina e Colômbia.


Atribui-se ao matemático, físico e filósofo francês Blaise Pascal a criação da mobilidade urbana. Não do termo em si, que surgiria bem mais tarde e mudaria drasticamente ao longo dos tempos, mas sim da ideia de ampliar o deslocamento coletivo na Paris dos anos 1660.

O inventor chamou de “Carrosses à Cinq” a sua invenção, uma frota de sete carruagens que percorriam a cidade em itinerários fixos, com tarifa (de cinco sols, a moeda à época) e horários regulares. Dizem os historiadores que Pascal convenceu o rei Luiz XIV a autorizar o serviço ao lançar um argumento decisivo: o de que resolver a questão do vaivém da população – só os nobres tinham carruagem – era primordial para criar um fluxo constante de pessoas e acelerar o desenvolvimento da cidade, não apenas do ponto de vista social, mas também econômico.

Democratização, alternativas de locomoção, desenvolvimento de relações econômicas e sociais. Adicione a este tripé, quatro séculos depois, conceitos como transporte intermodal para driblar trânsitos caóticos e a urgente preservação ambiental, e teremos a versão de mobilidade urbana atualizada com sucesso.

É um tema que sempre me interessou e que nas últimas semanas parece ter aflorado por conta das comemorações de dez anos do Bike Itaú, um projeto que acompanhei desde a criação e sobre o qual tenho imenso carinho.

Para além de todos os números vitoriosos das laranjinhas – e não foram poucos – está o fato de termos criado uma parte importante desta engrenagem de mobilidade em algumas das maiores cidades brasileiras.

Pioneirismo que estimulou um bem-vindo interesse de outras marcas e empresas pelo tema. Nossas parcerias com Netflix e Magalu, além de ações de copatrocínio com iFood, são prova disto.

Nos últimos anos, principalmente durante a pandemia, observamos mudanças relevantes nas relações dos habitantes de grandes cidades com as alternativas de transporte. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Itaú em parceria com Cebrap, entre o mês de fevereiro e março de 2021, na cidade de São Paulo, os veículos particulares, táxis/app e bicicletas surgiram como as principais opções da população para driblar o transporte público, de modo a evitar aglomerações. O automóvel recebeu dos respondentes a maior nota para segurança em relação à contaminação (8,4), seguido da locomoção 'a pé' (7,7) e bicicleta (7,0).

Ainda na cidade de São Paulo, 77% dos entrevistados concordam que o poder público deve investir mais em um sistema de transporte que priorize deslocamentos de bicicleta e a pé após a pandemia. E a maior parte é favorável (37%) ou muito favorável (48%) à implementação de novas ciclovias e ciclofaixas na cidade, especialmente nas periferias, que mantém grande parte da circulação da cidade. Esse recorte ilustra bem as oportunidades para a aplicação de políticas voltadas à melhoria da mobilidade urbana em grandes cidades. Não apenas com o intuito de otimizar a movimentação dos habitantes, mas também com o foco em reduzir as emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis.

Segundo um estudo realizado pela WRI Brasil, as emissões do setor de transporte são as que mais contribuem para as mudanças climáticas. Representam 14% de todas as emissões anuais e 25% das emissões originadas na queima de combustíveis fósseis. Do outro lado, o relatório publicado pelo ITDP em 2017 indica a possibilidade de reduzir as emissões com transporte em mais de 80% até 2050 por meio de estratégias de eletrificação e automação, além do investimento no modelo de compartilhamento.

Só na cidade de São Paulo, foram registradas 1,6 milhão de bicicletas em 2021.

A pandemia mostrou que mais pessoas estão se tornando adeptas do ciclismo, seja como alternativa de condução, por esporte ou até mesmo como trabalho. Os lockdowns e o consequente aumento das e-commerce/delivery durante o biênio 2020/2021 aumentou a presença de 'ciclo-entregadores' em grandes cidades. E para melhorar a experiência e a segurança dos ciclistas, as cidades passaram a oferecer ciclovias e ciclofaixas exclusivas.

É nesse contexto que o Itaú comemora dez anos do Bike Itaú. Uma década de apoio à causa da mobilidade urbana, sempre acompanhando a transformação das cidades no período. Estimular esse movimento é uma das nossas metas para a construção de cidades mais inteligentes, saudáveis e sustentáveis, facilitando o trânsito e o fluxo das pessoas e ajudando na descarbonização.

O sistema de bikes, em parceria com a Tembici, está presente em quatro países – Brasil, Chile, Argentina e Colômbia –, cobrindo hoje onze cidades. Já foram registradas mais de 71 milhões de viagens realizadas e 440 milhões de quilômetros rodados, o equivalente a 15 mil voltas ao mundo. A ideia é sempre reforçar e ampliar a cobertura do sistema, como a chegada das laranjinhas elétricas, novidade que estreou em São Paulo neste aniversário de dez anos. Vida longa às bikes e a todas as inovações sustentáveis que virão na área da mobilidade urbana.


*Leila Melo é integrante do Comitê Executivo do Itaú Unibanco, Leila é também conselheira e diretora-executiva da Will (Women in Leadership in Latin America)


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