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Especialistas debatem o uso de hidrogênio verde no setor veicular

Por Jéssica Silva


Na quinta-feira (30/3), aconteceu na sede do SEESP, na capital paulista, o seminário “Hidrogênio verde como fonte energética ao transporte sustentável e solução à descarbonização da economia”.


A atividade gratuita foi uma realização do sindicato por meio do seu Conselho Assessor de Mobilidade Urbana, e a Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, por meio do projeto H2Brasil, implementado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH.


O primeiro painel, moderado pela coordenadora do Núcleo Jovem Engenheiro do SEESP Marcellie Dessimoni, colocou em pauta o setor veicular e as mudanças climáticas. Na cidade de São Paulo, a Lei Municipal 16.802/2018 estabelece uma transição para fontes de energias menos poluentes e menos geradoras de gases do efeito estufa na frota de transporte coletivo urbano municipal.


O tema tem espaço relevante nas discussões técnicas do setor, conforme destacou Francisco Christovam, presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). “Temos quatro rotas tecnológicas possíveis de combustíveis alternativos, a de veículos elétricos, o biometano, o biocombustível e o hidrogênio verde (H2V)”, apontou.


Tendo participado de projetos relevantes às evoluções dos transportes de passageiros da Capital, como o desenvolvimento dos trólebus nos anos 1970 por meio do “Plano Sistran”, elaborado pela Prefeitura Municipal, e, nos anos 2000, testes da EMTU com ônibus movido a hidrogênio – que circulam atualmente em projeto piloto na Universidade de São Paulo (USP) –, Christovam enfatizou a necessidade de uma política nacional para a transição energética.


Segundo apresentou, o Brasil tem em torno de 110 mil ônibus urbanos em circulação, sendo 14 mil na cidade de São Paulo e 6 mil intermunicipais. Para a mudança dos combustíveis, frisou, não se pode pensar apenas no município paulista. “Não há como não se batalhar por uma política nacional”, disse.


O desafio para o uso comercial do H2V e das demais rotas tecnológicas de combustíveis alternativos, em sua visão, é conhecer o mercado e o papel de cada agente envolvido na cadeia produtiva. E, ainda, a indústria nacional: “até onde a nossa indústria está preparada, pronta para enfrentar esses desafios de um mercado segmentado?”, questionou. Também citou as fontes de financiamento e modelo de negócio, para que seja investido nos transportes sem onerar operadoras e passageiros.


“Não há espaço para o fracasso porque o mundo está mudando. E não dá para um país como o Brasil, continental, ficar de fora”, ressaltou Jurandir Fernandes, coordenador do Conselho Assessor de Transporte e Mobilidade Urbana do SEESP.


Em sua análise, é da natureza humana a busca por combustíveis mais flexíveis no uso e manuseio e, assim, chegou-se ao hidrogênio, que “vai ao encontro de uma redução da presença de carbono nas cadeiras carbônicas” – essencial para redução de poluentes. “O hidrogênio não é moda, não é passageiro”, afirmou.


Fernandes enfatizou o potencial do País, que já estuda a tecnologia da célula de combustível alimentada por H2V, e o armazenamento e transporte do hidrogênio na forma de amônia. Ponto principal questionado pelo especialista nesse sentido é como será a cadeia produtiva. “No Brasil temos de 100 a 120 milhões de automóveis, para atingir 5 milhões de automóveis [com a mudança da fonte energética] vai ser um processo lento”, externou.


Não obstante, a geração de energia limpa no País tem resultado proveitosos. Conforme apresentou o engenheiro, em 10 anos o valor da população que investe em energia fotovoltaica para geração própria e distribuída soma R$ 130 bilhões. Desses, R$ 40 bilhões retornaram para o governo na forma de impostos. O setor ainda gerou 780 mil novos empregos. “Concordo com o Christovam, se vier uma política nacional que canalize esse esforço, nós vamos dar um salto muito maior”, afirmou Fernandes.


José Roberto Cardoso, coordenador do Conselho Tecnológico do SEESP e professor da Escola Politécnica da USP (Poli/USP), apresentou no seminário iniciativas da academia e institutos de pesquisa no enfrentamento da urgência climática.


“Não existe universidade nesse país que não tem seu grupo de pesquisa nessa área [...] isso a gente percebe nos congressos, manifestações, em artigos científicos. De fato, nós temos uma base de conhecimento enorme, nós temos competência para encarar esse desafio e resolvê-lo de uma forma racional”, declarou o professor.


Nesse sentido, Cardoso destacou o trabalho realizado pelo Centro Paulista de Estudos da Transição Energética (CPTEn), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e pelo Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) da USP. Este último, com apoio da Shell e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), tem estudos na captura e utilização de carbono, sobre bioenergia, e opera o projeto piloto de ônibus movido a H2V no campus da universidade.


Também falou do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEE) e do Programa de Eixos Temáticos (Proet), ambos da USP, além da atuação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que possui grupo de estudos nas áreas de combustíveis e fontes de energia, eficiência energética e transporte – este último com destaque ao projeto Rota 2030, realizado em parceria com diversos institutos, para estimular o investimento e o fortalecimento das empresas brasileiras do setor automotivo, sobretudo no desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias.


O secretário executivo de Mudanças Climáticas do Município de São Paulo, Fernando Pinheiro Pedro, encerrou as exposições do painel 1, no seminário. Ele falou sobre a importância de políticas públicas que garantam segurança jurídica a todos os atores envolvidos na transição energética para alternativas não poluentes e o desenvolvimento tecnológico.

Nesse sentido, citou o desempenho do Comitê Gestor do Programa de Acompanhamento da Substituição de Frotas (Comfrota) de São Paulo, regulamentado também pela Lei 16.802/2018, o qual ele coordena. “Estamos trabalhando com todos, academia, indústria, para buscar as melhores saídas para a transição”, afirmou Pinheiro Pedro.


Dessimoni salientou a contribuição da sociedade civil e entidades sindicais, como o caso do projeto Cresce Brasil +Engenharia +Desenvolvimento, elaborado pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) com o apoio do SEESP e demais sindicatos filiados. A coordenadora do Núcleo Jovem também pontuou que toda a discussão está alinhada a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, da ONU, e ao ESG, pacto global de práticas de sustentabilidade ambiental, social e de governança corporativa.


Fonte: SEESP

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