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Será que ainda temos mão de obra qualificada? – Luiz Edson de Castro Filho

Será que ainda temos mão de obra qualificada? – Luiz Edson de Castro Filho

Eng Luiz Edson - Presidente ASSEFAntigamente, contava-se, a título de piada, que “havia um funcionário da ferrovia cujo serviço era bater com um martelo nas rodas dos carros e vagões ferroviários assim que chegavam ao pátio. Um dia esse funcionário levou seu filho para ver como era seu trabalho na ferrovia. Imaginando seu futuro na carreira ferroviária, o menino perguntou: “Papai, por que o senhor bate esse martelo em todas as rodas?” Num tom de voz suficiente para que o menino o ouvisse, mas sem que os demais pudessem ouvi-lo, o pai respondeu: “meu filho, na verdade eu nem sei o porquê, mas por décadas os homens de nossa família têm desempenhado essa função. Seu bisavô, seu avô e eu, e espero que você assim continue, já que tem sido nosso sustento por gerações”.

Sabe-se que, na realidade, o ato de bater o martelo produzia um som típico que se modificaria se houvesse uma trinca na roda, fato que, se detectado, ensejaria seu imediato relato para substituição da roda.

Com prenúncios de “retorno” das ferrovias com seu merecido respeito, volta a preocupação do resgate da mão de obra qualificada que foi abandonada ao longo das décadas.

Evidentemente, a mão de obra da atualidade deve absorver toda a informação dos tempos modernos, sem contudo abdicar da “formação” necessária aos que se defrontaram diariamente com os desafios da cultura ferroviária.

Quando mencionamos a palavra “resgate”, não o fazemos sem motivo. No último fim de semana de janeiro deste ano, por exemplo, eu estava na cidade de Passa Quatro, no sul de Minas Gerais, quando, em meioà ordenha de algumas vacas, deparei-me com o “Bidu”, apelido de um rapaz que estava ajudando seu pai no trato do gado.

Ocorre que o Bidu é técnico em eletrotécnica, tendo se especializado em sinalização ferroviária, com passagens pela ALSTOM e CPTM.

Certamente esse rapaz, demitido há menos de um ano por término de contrato (como consequência dos problemas que envolveram a ALSTOM e a Lava-jato), estaria muito mais realizado se estivesse trabalhando com algo que lhe possibilitasse aplicar seus conhecimentos técnicos, obtidos à custa de muito esforço.

Nesse sentido, paralelamente aos cursos de formação do Senai e ações de educação por partes das empresas ligadas ao transporte ferroviário, devemos oferecer oportunidades de trabalho para pessoas como o “Bidu”, para que não percamos mão de obra que já possua prévio conhecimento do setor, principalmente aqueles que nãotêm medo de “pisar no barro”, pois teoria sem prática de nada adianta.

Para tentar suprir essa demanda reprimida, a ASSEF – Associação dos Engenheiros Ferroviários no Estado de São Paulo – está preparando em seu siteum banco de profissionais de variadas especialidades.

Aliás, na prática, a Secretaria da Associação tem sido bastante procurada para indicação de profissionais, mantendo contato constante com os mesmos (ativos e inativos). Então, resgatemos os “Bidus” espalhados pelo país e requalifiquemo-los.

Luiz Edson de Castro Filho – Presidente da ASSEF
Artigo originalmente publicado na Revista SOBRETRILHOS – Ano 2 – Edição 4

 

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