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A produção agrícola brasileira vai bem. Seu transporte, porém… – Vicente Abate

A produção agrícola brasileira vai bem. Seu transporte, porém… – Vicente Abate

 

foto Vicente Abate - PresidenteHá cerca de um ano, previa-se a superação da barreira das 200 milhões de toneladas de grãos no Brasil, o que efetivamente ocorreu, com a produção de quase 208 milhões de toneladas. Para a safra 2015/2016, já se prevê colher mais de 210 milhões de toneladas, novo recorde do setor. Trata-se de um volume que a cada ano torna-se mais expressivo, obtido através de tecnologia aplicada, produtividade crescente e clima favorável, na maior parte das regiões produtoras. O mercado externo, leia-se China, principalmente, continua promissor e é alavancado pelo câmbio favorável, que parece ter vindo para ficar. O mesmo cenário pode ser estendido ao açúcar.

Dessa forma, o resultado de nossa balança comercial continuará sendo puxado pelo pujante setor agrícola brasileiro que, superando desafios, consegue se destacar no mundo, sem prejuízo ao mercado doméstico. Por outro lado, nosso precário sistema de transporte e de armazenagem tem influenciado negativamente os bons resultados alcançados pelo setor agrícola.Pelas razões expostas, o saldo ainda é positivo. Porém, até quando?

Não podemos deixar de considerar o potencial crescimento da produção de grãos nos próximos anos. As 210 milhões de toneladas atuais poderão tornar-se 300, 400 milhões. E sem um transporte adequado,não será possível movimentar tais volumes de forma econômica.

“Não podemos deixar de considerar
o potencial crescimento da produção
de grãos nos próximos anos.”

Já havíamos elencado, também neste espaço, diversos projetos ferroviários que, lamentavelmente, não se concretizaram. O prazo de entrega do trecho de Anápolis a Estrela D’Oeste da Ferrovia Norte-Sul, por exemplo, previsto para o primeiro semestre de 2016, foi prorrogado por um ano. O governo lançou um segundo PIL- Programa de Investimentos em Logística, em junho de 2015, que, como o primeiro, continua no papel na área ferroviária.

Destacam-se nesse novo programa três ferrovias no Centro-Oeste (dois complementos da Ferrovia Norte-Sul, um para o Norte do país e outro para o Sudeste/Centro-Oeste,mais Lucas do Rio Verde a Miritituba). Espera-se que em 2016 sejam realizados, enfim, os leilões de concessão desses trechos. Para as ferrovias existentes, também com investimentos significativos previstos, o governo negocia com as concessionárias atuais, em bons termos, a prorrogação de suas concessões para 30 anos após o prazo original, que expirará entre 2026 e 2028.

Do lado da indústria ferroviária brasileira, os fabricantes de vagões de carga e locomotivas continuam investindo fortemente em tecnologia. Um novo tipo de vagão, articulado, com elevadíssima capacidade de carga, foi desenvolvido para o transporte de grãos, farelo, açúcar a granel e fertilizantes. Locomotivas de elevada potência, antes destinadas à bitola larga, também foram desenvolvidas para a bitola métrica.

“Do lado da indústria ferroviária brasileira,
os fabricantes de vagões de carga
e locomotivas continuam investindo fortemente em tecnologia.”

Com a expansão e modernização das ferrovias e com o desenvolvimento de veículos mais produtivos, o setor agrícola brasileiro será atendido naquilo que lhe falta hoje, o que lhe garantirá um futuro mais promissor, ainda que as condições atualmente favoráveis não continuem a sê-loem sua plenitude.

Vicente Abate – Presidente da ABIFER
Originalmente publicado na Revista SOBRETRILHOS – Ano 2 – Edição 5

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