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Problemas de sinalização agravam acidentes com trens em Curitiba

Problemas de sinalização agravam acidentes com trens em Curitiba

Só em 2017, foram 60 acidentes registrados no Paraná, sendo seis deles só em Curitiba

trem pinhaisA Gazeta do Povo publicou artigo, no último dia 07, sobre um acidente envolvendo um carro e um trem na região do Cabral, na última terça-feira (03). O ocorrido reacendeu a velha discussão da falta de segurança nas regiões próximas à linha férrea. Muito além do barulho causado pelo passar dos vagões, é na coexistência de carros e trens que reside a maior preocupação no trânsito em vários bairros de Curitiba.

 

E esse não é um problema exclusivo da cidade. Dados da Associação Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apontam que, entre janeiro e outubro de 2017, foram 60 acidentes ferroviários no Paraná. Na capital, já foram seis casos registrados — incluindo com um óbito, no bairro Uberaba.

Em maio, duas ocorrências no mesmo dia comprovam que acidentes com trens são realmente mais comuns do que se imagina. Ambos os casos envolvendo carros e composições – os chamados abalroamentos – aconteceram em cruzamentos de Pinhais, na RMC, no último mês de maio.

E quem passa por situações assim não esquece. Em 2003, o taxista Maximiliano José teve o carro arrastado enquanto cruzava a linha férrea em Piraquara. O automóvel no qual ele estava morreu sobre os trilhos e ele teve que sair às pressas do veículo junto com a filha. “Foi o tempo exato de saltar pra fora do carro em meio ao som da buzina do trem e dos gritos da minha filha”, relembra. Segundo ele, o carro foi arrastado por cerca de 10 metros e foi completamente destruído.

Problemas de sinalização – Segundo a legislação brasileira, a sinalização ferroviária é obrigatória. As chamadas passagens em nível devem ser indicadas com faixas no chão, placas e sinais luminosos. Em alguns casos, cancelas e alertas sonoros também podem ser instalados para evitar acidentes.

O problema é que, na prática, essa sinalização não funciona tão bem assim. Por falta de manutenção, a indicação se torna confusa e muitos motoristas acabam se arriscando. Um exemplo é a esquina das ruas Marechal Deodoro e Padre Germano Mayer, no Alto da XV, onde as luzes vermelhas piscam sem parar, dando a entender que o trem pode passar a qualquer momento. Situação semelhante acontece em trechos próximos, como na Rua Francisco Alves Guimarães.

Já a algumas quadras de distância, na esquina das ruas Fernandes de Barros e Conselheiro Carrão, essa iluminação está sempre desligada. Na mesma região, na Rua Jaime Balão, um carro foi atingido por um trem no último mês de setembro após o alerta sonoro não ter funcionado. A motorista só percebeu a aproximação dos vagões quando viu a locomotiva vindo em sua direção.

Velho problema – A discussão de soluções para o problema vai desde a instalação de cancelas antes do acesso aos trilhos, até a construção de um anel ferroviário que desvie a malha do perímetro urbano. Na Câmara Municipal de Curitiba os debates têm ultrapassado a questão da segurança, chegando também a abordar outros fatores como o barulho das composições, e o incômodo causado pela passagem dos trens em determinadas horas do dia.

Ao todo, mais de 15 propostas relativas ao tema já foram apresentadas nos últimos 10 anos. A mais recente é de maio deste ano, na qual o vereador Jairo Marcelino (PSD) propôs que a passagem dos trens pela cidade fosse permitida somente após as 9h, devido ao barulho. A questão segue em discussão e a empresa responsável pela exploração ferroviária no Paraná, Rumo (antiga ALL), mantém a circulação irrestrita.

Instalação de cancelas e limite de horário para passagens de trens pela cidade estão entre as propostas em discussão.

Por meio de nota, a companhia informa que tem seguido todas as normas vigentes e que “procura causar o menor impacto possível à população”. A empresa reforça que é obrigação legal da administração pública, por meio dos órgãos ou entidades de trânsito, implantar, manter e operar o sistema de sinalização, os dispositivos e os equipamentos de controle viário; que a ferrovia é sempre preferencial; e que deixar de parar o veículo antes de transpor linha férrea é infração gravíssima, prevista em lei e sujeito a multa.

Quanto à instalação de cancelas para segurança, a Rumo afirmou que é feita “de acordo com estudos realizados individualmente em cada passagem em nível, que determinam se há necessidade do dispositivo”. A empresa salienta que as cancelas não são consideradas uma forma de sinalização totalmente segura e que já propôs ao município a formação de um comitê para discutir o assunto.

Já a prefeitura de Curitiba afirmou que a Superintendência de Trânsito de Curitiba tem debatido a questão com a Rumo e que realizou uma reunião na semana passada para tratar do assunto e discutir alterações nas sinalizações das passagens de nível, levando em conta o aumento do fluxo de carros e de trens pela cidade, registrado nos últimos anos.

A partir daí, segundo a administração municipal, a intenção é firmar um novo convênio entre as partes. A Superintendência de Trânsito orienta o motorista a parar o veículo em todo o cruzamento com a linha férrea e olhar para ambos os lados para se certificar de que não há nenhuma composição de vagões se aproximando, antes de atravessá-la.

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