Informação e Mobilidade

Da necessidade de trens de passageiros – Juvenal Mome

Da necessidade de trens de passageiros – Juvenal Mome

 

juvenalmome_foto_artigosimefreUm país de grande extensão territorial como o nosso com certeza precisa de um sistema de transporte bom, completo, adequado e que funcione de acordo com suas necessidades.No entanto, ao examinarmos o que está feito até hoje por meio de mapas, textos e pesquisas in loco, podemos ver que a realidade não é bem assim,tanto para o transporte de passageiros como para o de carga. Contudo, aqui nos reportaremos somente ao caso de passageiros, para comentarmos e justificarmos a necessidade de trens no Brasil.Examinemos esse contexto em duas partes:

1.a) Transporte Urbano;
2.b) Transporte Intermunicipal e Interestadual.

No primeiro caso, já temos melhores condições nas grandes cidades com maior população, pois existem vários sistemas de metrô e trens suburbanos em tráfego, inclusive com intercâmbio entre modais (ônibus, trens suburbanos e metrô). Exemplo disso são os que temos instalado em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre. Em outras capitais e grandes cidades, estão começando a ser instalados e projetados. Projetos que esperamos que sejam levados em conta, tenham investimento e sejam implantado sem curto prazo, pois a população assim precisa e requer.

Não podemos esquecer que alguns desses casos de instalação e projeto se referem a VLTs – Veículos Leves sobre Trilhos – e BRTs – sistemas de ônibus expressos – que trafegarão boa parte do tempo em vias exclusivas e terão estações de transbordo e embarque.

O caso mais complicado é, portanto, o segundo. Além dos trens turísticos, só temos dois casos de trens intermunicipais e interestaduais no país – os trens da Vale da Estrada de Ferro Vitória a Minas e da Estrada de Ferro Carajás.É muito pouco para um país com a extensão territorial do nosso. Necessitamos de uma rede extensa e bem planejada que cubra todo o país, interligando as principais cidades e com intercâmbio com todos os outros modais. Podemos citar rapidamente alguns exemplos:

1) Ligação São Paulo-Rio de Janeiro (≥ 500 km) – poderia ser feita com TAVs em menos de 2 horas e meia;

2) Rede de TAVs (incluindo o do item 1) que abrangesse as cidades de Belo Horizonte, Campinas, Curitiba, Brasilia, Ribeirão Preto, etc.,num primeiro momento;

3) Rede de Trens Regionais no entorno de São Paulo – servindo Sorocaba, Campinas, Santos e São José dos Campos;

4) Trens Regionais de Longo Percurso para o interior dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, etc.

Isso deve ser feito sem esquecer a necessidade de intercâmbio com os outros modais em estações intermodais adequadas e construídas em locais apropriados.

Perguntam-me por que esses trens são necessários? É fácil responder, pois a principal razão é simples: mobilidade! Mobilidade urbana e intermunicipal. A população quer se locomover, se deslocar a seus destinos sem problemas,com preços acessíveis e segurança. Só isso basta. Os trens poderiam ser a espinha dorsal de um sistema “espinha de peixe”, que atendesse a população de diversas regiões, inclusive a grandes distâncias,de um modo mais barato e seguro. Aí já temos as justificativas necessárias: mobilidade, preços mais competitivos e segurança, mas podehaver outras.

O que fazer para que isso seja realidade? É simples também: estudos adequados e próprios (inclusive ambientais), acompanhados de investimentos suficientes e sem burocracia que atrapalhe a implantação. Devem ser seguidos por construção das vias e estações, entre outros, com a rapidez de que se necessita. Isso deve ser feito em qualquer caso, com vários projetos correndo em paralelo. Esperamos que isso aconteça em breve.

Juvenal Mome – Engenheiro Mecânico de Projetos Industriais e Máquinas com especialização em Engenharia Ferroviária. Foi assessor do SIMEFRE entre 2000-2004 e secretário técnico do CB-6 (Comitê de Normalização Ferroviária da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT). Atualmente é sócio-gerente da JDA Projetos de Consultoria. Publicado na Revista SOBRETRILHOS – Ano 2 – Edição 5

sobretrilhos

Revista híbrida com abordagens jornalísticas e técnicas. A circulação é controlada e dirigida a todos os segmentos de transporte de passageiros e logística. Aposta-se em uma linha editorial que vá além dos trilhos, trazendo informações e conceitos sobre infraestrutura, intermodalidade, urbanização e cidades inteligentes.

Top