Informação e Mobilidade

Mobilidade Urbana tem que ser Preocupação dos Governos – Emiliano Affonso

Mobilidade Urbana tem que ser Preocupação dos Governos – Emiliano Affonso

Por Emiliano Affonso Presidente AEAMESP

Foto Emiliano AffonsoAo longo de décadas presenciamos a priorização do transporte individual, o abandono do transporte ferroviário e a colocação em segundo plano do coletivo. As motos e os carros se multiplicaram, os congestionamentos e a poluição aumentaram causando desperdícios bilionários e transformando o morador das grandes cidades brasileiras em cidadão de terceira categoria, sem tempo para conviver com suas famílias, visitar seus amigos e defender seus interesses.

Começa uma mudança, o Governo do Estado de São Paulo – GESP –  proclama a priorização de investimentos no transporte coletivo. Planos foram feitos, recursos e prazos assumidos. Em 2014, além da recuperação e modernização do sistema ferroviário de passageiros, eram divulgadas as construções ou expansões de três linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM e sete do Metrô, ampliando 130km, 103 novas estações e aumentando 4 milhões de viagens na rede metroferroviária paulista.

O Governo Federal começou a assumir sua responsabilidade na mobilidade urbana. No início de 2014, apoiava 205 projetos de transporte coletivo urbano em 102 cidades, totalizando 2.852km, sendo, 584km de trilhos e 2.257km pneus e prevendo que 50% dos recursos do “PAC dos 50 bilhões” iriam para o transporte coletivo urbano, dos quais mais de 60% sobre trilhos.

A Pesquisa Origem e Destino do Transporte Rodoviário realizada em 2005, mostrou que apesar dos investimentos bilionários os 10 principais eixos rodoviários e o rodoanel entrarão em colapso em curto prazo e defende a volta do transporte ferroviário de carga e passageiros. O governo paulista, começou a falar dos trens regionais e a CPTM propôs cinco linhas, quatro delas radiais interligando as regiões de Campinas, Sorocaba, Santos e São José dos Campos a capital e uma perimetral atendendo o eixo Campinas-Sorocaba e aeroporto de Viracopos.

A Prefeitura de São Paulo, na gestão Kassab, resolve investir no Metrô, aloca recursos e com o GESP assina convênios para a implantação das Linhas 15-Prata e 17-Ouro. O Governo do Rio de Janeiro se compromete com a requalificação e ampliação dos sistemas metroferroviários. Pipocam novos projetos metroferroviários em várias capitais e todos se mobilizam para a implantação de trens de passageiros. Havia um clima de esperança de mudança na mobilidade urbana.

Porém, algo estranho ocorre. As exigências para a implantação de linhas metroviárias cresceram em progressão geométrica, aumentando prazos e custos. A Prefeitura de São Paulo descumpre o convênio assinado no governo Kassab e não sinaliza prazos para as obras necessárias à implantação de trechos das Linhas 15 e 17. O desmantelamento das equipes de projeto executivo do Metrô de São Paulo, que poderá levar a perda do conhecimento técnico adquirido, não é revisto. A Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES têm atrasado a liberação de recursos para as obras, aponta a entidade não governamental Contas Abertas e o governo Federal investiu, em 2015, só 17% do previsto no programa de mobilidade urbana.

Das sete linhas metroviárias do plano de investimento do GESP, seis estão paradas ou em ritmo mais lento. O governo anuncia a implantado só do trecho Congonhas–Marginal Pinheiros da Linha 17. Com isto, a linha transportará menos de 1/3 do previsto e não atenderá regiões carentes de mobilidade e de comunidades de baixa renda, como a de Paraisópolis, prejudicando duplamente a população, pois as negociações para diminuição dos serviços e extensão dos prazos com certeza onerarão o preço da obra.

É urgente a necessidade de melhoria da infraestrutura urbana, não podemos nos dar ao luxo de jogar fora bilhões de reais todos os anos por causa de uma mobilidade urbana deficiente. Não podemos onerar os custos de nossas obras nem relegar ao segundo plano investimentos em linhas estruturadoras de transporte nas cidades e regiões metropolitanas sob pena de comprometermos a capacidade de crescimento do País.

Temos de criar coragem e inovar, enfrentar as barreiras que impedem a celeridade de nossos projetos, eleger fontes de recursos permanentes, aproveitar o potencial indutor de nossas linhas metroferroviárias para gerar novos recursos e receitas que agilizem a implantação de novas linhas e mitiguem os custos das viagens. Exemplos são inúmeros, falta empenho e vontade política.

Publicado na Revista SOBRE TRILHOS – Ano 1 – Edição 3

 


 

 

sobretrilhos

Revista híbrida com abordagens jornalísticas e técnicas. A circulação é controlada e dirigida a todos os segmentos de transporte de passageiros e logística. Aposta-se em uma linha editorial que vá além dos trilhos, trazendo informações e conceitos sobre infraestrutura, intermodalidade, urbanização e cidades inteligentes.

Top