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Mobilidade é fundamental para o crescimento do Brasil – Emiliano Affonso

Mobilidade é fundamental para o crescimento do Brasil – Emiliano Affonso

Foto Emiliano AffonsoDurante 2015, presenciamos uma crise político-institucional com um viés econômico muito forte. Grande desvalorização da moeda nacional, queda na produção industrial e nas vendas do comércio, aumento dos juros e do desemprego e perda de arrecadação do Governo Federal e de governos estaduais e municipais. Esse quadro foi intensificado com os desdobramentos da “Operação Lava-Jato” e com a diminuição do ritmo e mesmo a paralisação de obras públicas.

Diante de um quadro recessivo, só minimizado pela produção agrícola, governos diminuem o ritmo e chegam a paralisar obras públicas, independentemente de sua importância.

Iniciamos 2016 com muitas expectativas e preocupação com o futuro do nosso País. No setor metroferroviário, presenciamos a diminuição dos orçamentos de empresas operadoras, a redução de obras de expansão e atrasos expressivos ou mesmo postergações sem prazo de compromissos assumidos com a população.

O que fazer? Estudos mostram que uma boa mobilidade nas cidades é fundamental para o crescimento econômico de uma nação. Existem diversos exemplos de investimentos públicos na implantação e operação de sistemas estruturadores de transporte na América do Norte, Europa e Ásia, que poderiam ser seguidos.

“Temos que rever urgentemente
a forma de proporcionarmos
uma boa mobilidade para os brasileiros.”

Na América do Norte, de acordo com relatório da APTA – American Public Transportation Association, 100% dos investimentos nas redes estruturadoras de transporte coletivo nas cidades são públicos e os três níveis de governo participam, sendo que o Governo Federal entra com o maior valor na implantação e os usuários arcam com apenas 33% do custo das passagens.

Os recursos vêm de várias fontes e variam de estado para estado; existem fundos gerais, taxas na gasolina, na venda ou aluguel de carros, registros, licenças, etc. A razão de tais investimentos é que, para cada bilhão investido pelo governo federal em mobilidade, retornam seis bilhões de reais.

Enquanto isso.no Brasil.continuamos no caminho errado: a pesquisa Origem e Destino mostrou que, para um aumento de população de 2% na RMSP – Região Metropolitana de São Paulo, entre 2007 e 2012, houve um acréscimo de 18% na frota de automóveis. São Paulo apresenta congestionamentos recordes com consequências nefastas para a economia e a poluição e cerca de 90% da poluição atmosférica é gerada por carros, motos, ônibus e caminhões.Todos os anos, jogamos fora bilhões de reais com a perda de produtividade e com o aumento dos custos com a saúde.

Temos que rever urgentemente a forma de proporcionarmos uma boa mobilidade para os brasileiros. De acordo com o professor Dr. Eduardo A. Haddad, da USP, o Brasil perde R$156,2 bilhões por ano só com a perda de produtividade causada pela morosidade do trânsito em São Paulo.

Os moradores da RMSP gastam meia hora a mais do que deveriam no deslocamento entre as residências e os locais de trabalho. Se o excesso de tempo fosse eliminado, o PIB (Produto Interno Bruto) nacional cresceria 2,83%, e a cidade absorveria 50% do benefício.

Estudo apresentado pela professora Dra. Simone Georges Miraglia da Universidade Federal de São Paulo, na 21ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, realizada pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô – AEAMESP mostrou, apoiado em dados da CETESB em dias de greve do Metrô, que os benefícios do Metrô de São Paulo em termos da redução da poluição atmosférica e seus efeitos associados a saúde pública evitam custos da ordem de US$ 18 bilhões/ano.

Não faltam estudos sobre o montante de recursos jogados fora pela falta de uma boa mobilidade em nossas cidades, e sabemos que, nas grandes metrópoles, para que ela ocorra, é indispensável a implantação de uma rede estruturadora de transporte público apoiada nos sistemas sobre trilhos e a racionalização do uso dos carros.

Não podemos aceitar passivamente a paralisação de obras de mobilidade, pois a falta delas comprometerá nosso futuro. Temos que dar apoio técnico aos nossos dirigentes, envolver nossos representantes no Poder Legislativo e alertar a sociedade civil organizada de que o desenvolvimento consistente do nosso País passa pela reversão urgente da forma como priorizamos os investimentos em mobilidade urbana.

 

Emiliano Stanilau Affonso Neto – Presidente da AEAMESP (Gestão 2014-2016)
Artigo originalmente publicado na Revista SOBRETRILHOS – Ano 2 – Edição 4

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Revista híbrida com abordagens jornalísticas e técnicas. A circulação é controlada e dirigida a todos os segmentos de transporte de passageiros e logística. Aposta-se em uma linha editorial que vá além dos trilhos, trazendo informações e conceitos sobre infraestrutura, intermodalidade, urbanização e cidades inteligentes.

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