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Mar de lama em tempos de Lava Jato – Auro Doyle

Mar de lama em tempos de Lava Jato – Auro Doyle

Auro DoyleAo ver a decretação e efetivação da prisão dos presidentes das cinco maiores corporações de engenharia e de empreendedorismo nacional, bem como um grande número de seus executivos, ao findar deste muito longo e doído ano de 2015, tendo como motivação, segundo divulgado pela mídia, a cobrança/pagamento de propina equivalente a 3% da totalidade dos contratos da empresa federal Petrobras – vem me uma pergunta: será que ao longo da história desta empresa estatal já houve antes o pagamento/cobrança de tal valor (3%) com título de BDI? Que se deixe bem claro que não defendo o “mau feito”. Todavia gente que vem ganhando e fomentando o desenvolvimento do mercado internacional levando oportunidades de emprego e reconstruindo a África e ainda “sustentando” milhares de famílias e investindo no Brasil merece respeito, sim!

Impossível não observar a diferença de tratamento designada pelos responsáveis pela justiça, diante daqueles que participaram das “rodadas de oportunidades” dos anos 90 e em especial destes da data do acidente de Mariana/MG!

Ao nos depararmos com a desgraça gerada pelo “mar de lama” vindo desde Mariana, MG, onde o rompimento de duas barreiras de contenção de dejetos de mineração com milhares de metros cúbicos se romperam, segundo relatórios divulgados pela imprensa e MP, de forma previamente anunciada. Aniquilando passado, presente, vidas, cidades, nascentes e rios de água, futuro, destinos, e a total ausência para não dizer imobilismo e mudez dos líderes e promotores da tal modernidade “do mercado”. Tiraram da empresa nacional que “muito bem cuidava” de toda infraestrutura operacional de seu negócio contratando e fiscalizando adequadamente “todos” os serviços preventivos fundamentais e necessários a sua operação comercial, entregando-a por motivos meramente financeiros e interesses menores a exploração de pessoas e corporações estranhas a nação. Ou seja, novamente se apresenta o modelo adotado na Ferrovia, que foi totalmente inviabilizada após delapidada por ausência absoluta de responsabilização de quem cometeu ou decidiu por isto.

As duas empresas responsáveis e donas do complexo “Vale-BHP” dizem poder “contribuir com algo” para a recuperação dos danos?

Enfim, rever o modelo atual, sanear o que não funcionou fazendo o “meia culpa” e apontar os responsáveis pelos “maus feitos”, de forma que fique clara a diferença entre o que foi feito (ou não) e o que foi proposto, uma vez que tal modelagem “de tão óbvia e conhecida nas rodas da engenharia” parece somente não interessar àqueles que hoje vivem de liminares e de inviabilizar o empreendedorismo e o desenvolvimento nacional; viabilizando o negócio “pessoal” e estranho aos interesses do país!

Em resumo como mensagem de esperança e fé de final de ano, o empreendedor e os profissionais da engenharia nacional que dele defendem devem se unir para que juntos retomemos em nossas mãos, e nas mãos do povo brasileiro a agenda e o planejamento do país que queremos e merecemos de forma a soberanamente poder escolher nossos melhores parceiros. Caso contrário o próximo contrato será escrito e o próximo presidente será eleito sabe-se lá em qual idioma.

Auro Doyle – Vice-presidente da ABEE
Artigo originalmente publicado na Revista SOBRETRILHOS – Ano 1 – Edição 3

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