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Linha Leste do Metrofor em questão

Linha Leste do Metrofor em questão

Alvo de críticas nos últimos meses pelo não uso das tuneladoras, o processo de construção da Linha Leste do Metrofor deve enfrentar mais um desgaste nos próximos meses. Informações de bastidores dão conta de que, após a confirmação do Estado do Ceará de rescindir o contrato com o consórcio responsável pela construção do empreendimento, executivos da Acciona devem chegar a Fortaleza após o Carnaval com o objetivo de reverter as intenções do governo cearense de promover o distrato.

Segundo matéria do Diário do Nordeste, fontes do mercado confirmaram a vinda da comitiva. Eles devem se encontrar com representantes da Construtora Marquise. As duas empresas compõem o consórcio depois que a paulista Cetenco desistiu do empreendimento, em 2015. O imbróglio societário promoveu uma das paradas da construção, aumentando ainda mais o atraso na entrega do trecho que pretende ligar o Centro da Capital ao bairro Papicu.

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Inicialmente, a previsão de conclusão da Linha Leste era em 2014, o que foi totalmente impossibilitado devido a várias questões de ordem técnica-administrativa e, ultimamente, econômica, que paralisaram os canteiros das estações e túneis.

PROCESSO DE DESTRATO – A vontade de promover o distrato do contrato com as duas construtoras foi declarada pelo governo cearense no fim de 2017 e confirmada ontem pela Secretaria da Infraestrutura do Estado do Ceará (Seinfra-CE). A intenção é promover a quebra do contrato e, com tudo acertado legalmente, licitar o empreendimento novamente, segundo afirmou a Secretaria.

Procurado para comentar o andamento desse processo movido pelo governo cearense, o secretário Lúcio Gomes (Infraestrutura) não retornou às ligações da reportagem até o fechamento desta edição.

Em dezembro do ano passado, o governador Camilo Santana afirmou que esperava apenas a autorização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para relicitar a obra da Linha Leste do Metrofor. O Banco é um dos financiadores das obras, juntamente com o Ministério das Cidades e o próprio Estado do Ceará, mas tem revisto as condições apresentadas pelo Estado no último ano, o que também desgastou o processo e vem retardando a retomada dos trabalhos.

Impasse semelhante acontece na liberação de recursos para o Metrofor com o Ministério das Cidades, o que levou o governo cearense ameaçar levar a questão à Justiça. A ameaça, no entanto, não foi levada adiante, até agora. Os dois, BNDES e Ministério, deveriam aportar R$ 1 bilhão cada no financiamento da Linha Leste, com uma contrapartida pelo governo do Estado de R$ 259,22 milhões.

REVISÃO DO PROJETO – No entanto, a Seinfra remodelou o projeto de construção da Linha Leste do Metrofor, na busca de que o volume de recursos necessário para a conclusão do empreendimento fosse reduzida e, consequentemente, precisasse de um desembolso menor por parte dos dois financiadores. Para tal, o trecho foi encurtado, deixando de ir até o bairro Edson Queiroz, e ficando apenas no Papicu. Após reunião com o BNDES, em novembro de 2017, o titular da Seinfra informou ainda que o número de estações entre os extremos da Linha estariam sendo revisados e seriam reduzidos para diminuir o impacto financeiro.

Com isso, o valor dos empréstimos também cairiam de R$ 2 bilhões para R$ 1,85 bilhões – dos quais R$ 500 milhões devem ser desembolsados pelo Ministério das Cidades. Executar as obras através da formação de uma Parceria Público-Privada (PPP) também não foi descartada, segundo informou Lúcio Gomes na época, citando o interesse manifestado pela China Railway Rolling Stock Corporation (CCR) no Metrofor em tal modelo de negócio.

TESTE DOS TATUZÕES – Outra questão em evidência no que diz respeito ao Metrofor nos últimos meses envolve às tuneladoras – ou tatuzões. Os equipamentos adquiridos pelo governo cearense para a construção dos túneis, atualmente, estão sendo montados e aguardam um técnico para que o teste deles seja feito. Porém, no ano passado, a forma de armazenamento das peças e o tempo delas sem nenhum funcionamento foram alvo de críticas ao Estado.

*matéria originalmente publicada pelo Diário do Nordeste em 10/02/18 – foto: Tatiana Fortes

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