Informação e Mobilidade

Líderes devem dar bons exemplos e mobilizar equipes

Líderes devem dar bons exemplos e mobilizar equipes

Por Valter Pieracciani

No Brasil, um conjunto de mitos trava o avanço da inovação e bloqueia comportamentos inovadores. Muitas vezes ouço dirigentes afirmando, de maneira simplista e imprecisa, que nos falta uma cultura da inovação na empresa e/ou no País. Eis um desses mitos. Líderes, cuidado!

A cultura de uma empresa é feita de valores e crenças. Quem rege uma cultura de inovação nesse ambiente é a própria liderança. Cabe a ela expressar claramente os valores, acima de tudo com seu exemplo vivo.

Aliás, emprestando uma frase do filósofo de origem alemã Albert Schweitzer, “quando se trata de expressar valores, dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única”. Portanto, como líder, comece já a reforçar valores como a coragem, a multidisciplinaridade de conhecimentos e de tarefas, a importância das pessoas e tantos outros pressupostos que compõem o credo das companhias inovadoras. Inclusive valorizar o erro como aprendizado. É preciso abraçar, de verdade, as falhas como oportunidades de descobrir, mudar e inovar.

Outro mito diz respeito à convicção (distorcida) de que inovar é um processo solitário que depende de “lampejos” de alguns poucos iluminados. Bobagem! Está mais do que provado que as empresas inovadoras, as usinas de inovações, como as denominamos, têm processos robustos que envolvem as equipes fazendo com que a inovação aconteça.

Essas empresas pavimentaram caminhos estruturados para que as ideias fluam, tornem-se projetos e, mais tarde, produtos. Há disciplina nas práticas para inovar.

Essas práticas dependem essencialmente da combinação de conhecimentos de pessoas diferentes e da mobilização de equipes inteiras, muitas vezes de áreas distintas. Uma espécie de polinização cruzada, como a das abelhas, na qual a ideia inicial, por melhor que seja, é refinada e ampliada pela ação de outros atores no processo.

Walt Disney, um dos líderes mais inovadores de todos os tempos, definia-se como uma “abelhinha” que conectava o trabalho dos vários talentos de seu time para criar maravilhas. Em seus quadrinhos, ofereceu uma grande lição de liderança inovadora por meio do contraponto entre o professor Pardal, a quem todos nós erradamente atribuíamos papel-chave na inovação, e Mickey Mouse. Pardal era um líder introvertido, que fazia coisas que nem ele mesmo sabia para que serviriam… Mas não era ele o inovador, e sim o Mickey. Este sim! Criativo e bem-humorado, mobilizava as pessoas, que acabavam gerando juntas soluções simples para situações complexas.

Crenças paralisantes e mitos como esses citados estão no coração e na mente de muitos dirigentes brilhantes que conhecemos. Chegou a hora de fazer as coisas acontecerem ao estilo Mickey, na mais pura e autêntica revolução da inovação. Da qual tanto nós quanto nosso Brasil precisamos. Feliz trabalho!

Por Valter PieraccianiValter Pieracciani é engenheiro, sócio-diretor da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas e autor dos livros “Usina de inovações” e “Qualidade não é mito e dá certo”. Fonte: Jornal do Engenheiro – SEESP.

Publicado na Revista SOBRE TRILHOS – Ano 1 – Edição 2


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