Informação e Mobilidade

Ferroviários de toda a nação, uni-vos! – José Manoel Ferreira Gonçalves

Ferroviários de toda a nação, uni-vos! – José Manoel Ferreira Gonçalves

josemanoel_ferrofrente_fotoClaro está que é por razões lógicas e não metafísicas que os trilhos são paralelos. Gostaria, contudo, de me apropriar desse paralelismo como metáfora para falar da extrema conveniência e necessidade mesmo de que os ferroviários, ferroviaristas e amigos do trem comunguem suas forças, uma vez que nosso objetivo é uno e os adversários da nossa tese são fortes, ávidos e sempre alerta.

As razões do ferroviarismo são inequívocas e, em geral, ao tomar contato com elas, os cidadãos as aprovam de pronto. Como sabemos, depois de explanarmos sobre a redução de custos nos transportes, sobre o aumento da competividade externa, o aumento nas opções que garantem o ir e vir, a questão dos acidentes evitados nas estradas e a despoluição das cidades, por meio da diminuição dos ônibus, etc., o mais natural é ouvirmos: “claro, tem toda a razão”, “isso precisa ser mudado”, “como não pensei nisso antes?” e assim por diante.

Isso posto, caso o amigo possa concordar conosco quanto a isso, a verdadeira questão ferroviária hoje é de ordem cultural. Se os cidadãos conhecerem as razões, delas ficarão convencidos (a FerroFrente já fez pesquisa de opinião que demonstrou que mais de noventa por cento da população apoia a causa espontaneamente) e, uma vez convencidos, forçarão as autoridades a mudar o quadro lastimável em que se encontram nossas linhas e equipamentos.

E como mudar essa cultura entre os cidadãos se nós mesmos não estivermos unidos, trabalhando em sinergia, em prol do Estado e da nação?

“Não há melhor hora para
ação que a hora da mais extrema crise.”

A atual crise política e moral terá inequivocamente como consequência a diminuição dos investimentos nas obras, é factível. Pois bem, um momento assim convida ao planejamento, à elaboração de novos projetos, e é por meio deles que veremos o setor encontrar seu necessário desenvolvimento. Depois de aprovado o projeto, a obra segue seu curso. Por isso, não há melhor hora para ação que a hora da mais extrema crise.

Se a crise econômica atual resulta a um só tempo dos erros dos nossos governantes e da conjuntura mundial que impôs recessão a todos os mercados globalizados a partir da crise da bolha imobiliária e bancária nos Estados Unidos deflagrada em setembro de 2008, a crise política que vivemos é tupiniquim, gestada no seio do poder brasileiro desde 1946, logo após a derrocada do primeiro governo de Getúlio Vargas, que se instituíra com o golpe de 1930. Aliás, grande parte da crise se explica pela sequência de golpes, para tanto chama a atenção o fato de que desde 1926 só tivemos três presidentes eleitos pelo voto que concluíram seus mandatos. O próprio citado Getúlio acabou sofrendo dois deles, um em 1945 e o outro em 1954, ambos sustentados pelas Forças Armadas. Mas, se falamos de ferrovias, por que estaria aqui a enveredar para a política? Algum interesse especial?

Não, nenhum interesse especial, apenas a constatação de que a mudança do atual estado de coisas depende exclusivamente dos três poderes. Nós, da FerroFrente, estamos atuando junto aos três e, para tanto, pedimos o apoio de todos.

  • Quanto ao poder executivo, movemos ação pública já acatada pela Justiça Federal que busca indenização que pode chegar a (ou até ultrapassar) 200 bilhões de reais, a serem revertidos para um fundo ferroviário, criado para ser investido integralmente em ferrovias.
  • Quanto ao Legislativo, temos participado de várias audiências públicas em Câmaras e Assembleias.
  • Quanto ao Poder Judiciário, temos movido ações públicas contra vários governos, relativos a Norte-sul, ao metrô de São Paulo, ao metrô de Rio, ao monotrilho de Cuiabá, entre outras.

Para maior efetividade dessas ações, necessitamos do apoio de todos. Acesse nosso site, www.ferrofrente.com.br, e seja um voluntário da causa. Por outro lado, estamos à disposição de todos que levantarem a bandeira ferroviarista no Brasil. Juntos seremos mais ouvidos. À luta, ferroviários, é hora!

José Manoel Ferreira Gonçalves – Presidente da FERROFRENTE
Originalmente publicado na Revista SOBRETRILHOS – Ano 2 – Edição 6

 

sobretrilhos

Revista híbrida com abordagens jornalísticas e técnicas. A circulação é controlada e dirigida a todos os segmentos de transporte de passageiros e logística. Aposta-se em uma linha editorial que vá além dos trilhos, trazendo informações e conceitos sobre infraestrutura, intermodalidade, urbanização e cidades inteligentes.

Top