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A Verdade está na cara, mas não se Impõe! como sempre – Luiz Edson de Castro Filho

A Verdade está na cara, mas não se Impõe! como sempre – Luiz Edson de Castro Filho

Luiz Edson de Castro FilhoPresidente ASSEF

Eng Luiz Edson - Presidente ASSEFA última vez que li esta frase foi em um artigo do Arnaldo Jabor sobre a situação política do Brasil.

Durante os últimos dias, dediquei-me à leitura do livro “Um Brasil sobre trilhos”, de autoria de José Manoel Ferreira Gonçalves, atualmente liderando a FERROFRENTE – Frente Nacional pela Volta das Ferrovias.

Enquanto tentava absorver a diversidade de dados e interpretações econômicas inerentes a matriz do transporte praticado no Brasil, vinha sempre a pergunta: – Por que TODOS os governantes viraram as costas para a ferrovia? Juntam-se a esse inconformismo, reações diante de muitas outras facetas que integram o DNA da governança do país. Diria até que a frase vestibular poderia figurar em substituição à nossa utópica “ORDEM E PROGRESSO”.

Não é raro ouvir menções sobre a preocupação com as novas gerações, no entanto, em frase atribuída ao primeiro ministro francês Jacques Chirac, “as gerações futuras irão cobrar responsabilidades de quem sabia e nada fez”. Isso impõe uma enorme responsabilidade a nós, agora integrantes da FERROFRENTE, eis que sabemos como evitar que bilhões de reais sejam jogados pelo ralo, em função da péssima logística praticada pela equivocada política de transportes reinante no país.

Será que nossos representantes públicos nunca entenderão que o benefício da sociedade abrange, obrigatoriamente, o âmbito pessoal, uma vez que o indivíduo faz parte do todo? Onde estão os verdadeiros estadistas?

No Brasil, o transporte de carga sobre pneus alcança cerca de 80% do volume total, enquanto apenas 20% se dá sobre trilhos. O transporte ferroviário emite apenas ¼ dos gases de efeito estufa, quando comparado ao transporte rodoviário. A simples inversão do binômio “caminhão/trem”, ou seja se 80% do transporte fosse efetuado através de ferrovias, teríamos uma economia de 175 bilhões de reais por ano, o que viabilizaria a construção de 20.000 km de ferrovia a cada novo ano. Só por curiosidade, atualmente temos menos de 28.000 km em operação.

Como preconizado no Manifesto da FERROFRENTE: “Não queremos desconfiar da inteligência de nossos governantes, mas realmente parece que eles estão duvidando da nossa.” Há produtos da cesta básica brasileira (açúcar, arroz, feijão, etc.) cujo preço agrega mais frete do que qualquer outra coisa. Pelo menos, na maior parte do ano, poderiam custar menos que a metade se houvesse ferrovia para transportá-los.

Nas grandes capitais, a imobilidade urbana já chegou a situações insuportáveis e a poluição traz vários tipos de doenças respiratórias, inclusive o câncer.

Parafraseando mais uma vez o colega José Manoel, “O trem é barato, o trem é limpo”, “o frete do trem é seis vezes mais barato que o frete rodoviário” e “polui quatro vezes menos que o caminhão e o ônibus”, ou seja, A VERDADE ESTÁ NA CARA, MAS NÃO SE IMPÕE!

 

Publicado na Revista SOBRE TRILHOS – Ano 1 – Edição 3

 


 

 

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Revista híbrida com abordagens jornalísticas e técnicas. A circulação é controlada e dirigida a todos os segmentos de transporte de passageiros e logística. Aposta-se em uma linha editorial que vá além dos trilhos, trazendo informações e conceitos sobre infraestrutura, intermodalidade, urbanização e cidades inteligentes.

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