Informação e Mobilidade

A mobilidade urbana no Brasil – Massimo Andrea Giavina

A mobilidade urbana no Brasil – Massimo Andrea Giavina

Por Massimo Andrea Giavina-BianchiVice-Presidente SIMEFRE

sobretrilhos-mobilidadeurbanaFinalmente as autoridades governamentais colocaram como prioridade atender ao anseio da população por melhores condições de transporte urbano. Porém, existem divergências em todos os agentes (setores públicos, técnicos, etc.) com relação à utilização dos modais mais adequados na matriz de transporte de mobilidade urbana onde se deve considerar, principalmente, a capacidade de cada modal. Não se pode substituir um modal de menor capacidade por um maior.

No que tange ao modal VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos), ele tem o seu lugar na matriz de transporte, e hoje está sendo distorcido com a panacéia na implantação de BRTs (Bus Rapid Transit) no Brasil. Nesse sentido, citando o artigo publicado no jornal “Valor Econômico” de 13/04/2015 – Prós e contras do BRT carioca, por quem entende de BRT, no qual o diretor do Centro Internacional de Excelência em BRT do Chile, Juan Carlos Munóz, afirma: …“se, por exemplo, houver uma pista por direção sem pontos de ultrapassagem, para 30 mil passageiros por hora, o BRT não dá conta”. É o que está sendo constatado nos BRTs recentemente inaugurados no Rio de Janeiro, que já apresentam uma superlotação.

se, por exemplo, houver uma pista por direção sem pontos de ultrapassagem, para 30 mil passageiros por hora, o BRT não dá contaJuan Carlos Munóz
Pelo seu sistema de controle e operação, o VLT, contrariamente ao BRT, não passa do ponto, não fura sinal e não anda acima da velocidade, pois tudo isso independe da vontade do condutor. Além disso, a sua capacidade de transporte é duas vezes superior a do BRT e o seu acesso nos pontos é facilitado pelo número e dimensão das portas, inclusive, para os portadores de necessidades especiais.

Tanto o VLT como o Metrô são modais estruturantes do transporte urbano. Já os BRTs têm o seu lugar na matriz como alimentadores desses sistemas.

No Brasil, o primeiro sistema a utilizar o VLT é a Baixada Santista (São Paulo). Entretanto, esse modal está sendo utilizado em mais de 400 cidades do mundo. Outra vantagem desse sistema é que nas cidades onde foi implantado houve uma revitalização do entorno que estava deteriorado.

Cabe salientar que os corredores implantados para os BRTs no Brasil se adequam perfeitamente para a sua substituição por VLTs, pois estes necessitam de uma faixa menor, além do peso por eixo que é também menor e, portanto, nos traçados atuais necessitariam somente de algumas adaptações de ordem menor.

Por tudo isso, fica evidente que do ponto de vista operacional e de segurança de circulação, o VLT necessita de menor ordem de intervenção na malha viária existente.

Resumindo, toda operação é praticamente independente de qualquer imprudência do condutor, diferentemente do modal BRT.

Certamente a operação do sistema da Baixada Santista será um marco não só para São Paulo, mas para todo o Brasil pela importância na utilização desse modal que, sem dúvida, contribuirá para a melhoria da mobilidade urbana não só nas grandes cidades, como também nas de porte médio.

A bilhetagem eletrônica, se empregada seja no BRT como no VLT permite o ordenamento na arrecadação e na supervisão do controle na utilização do modal.

Temos também que falar no novo modal, pioneiro no mundo que é o Aeromóvel. Este modal atua em uma faixa de demanda abaixo do VLT. Sua primeira implantação foi em Porto Alegre, tendo já transportado mais de 2 milhões de passageiros, sem nenhuma interrupção.

O grande interesse nesse modal e, não só pela sua confiabilidade e disponibilidade, mas também pelo seu baixo custo de implantação e operacional e pouca interferência na malha urbana, se comparado com qualquer outro sistema de transporte.

Certamente, esse modal será uma revolução para a solução do atendimento de transporte dos corredores alimentadores de outros sistemas estruturantes.

 

Publicado na Revista SOBRE TRILHOS – Ano 1 – Edição 3

 


 

 

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